Artigos - Obesidade

Psicoterapia para obesidade

Terapia com psicólogo para emagrecimento

 

Obesidade é um tema bastante trabalhado em psicoterapia, pois envolve tanto sentimentos, emoções como também padrão de comportamento.

A obesidade já pode ser considerada o mal do século, porque comemos além do necessário e de maneira não saudável, não somente no que se refere ao alimento, mas também no que se refere ao comportamento alimentar. Como nos relacionamos com a comida? O que esta envolvido no comportamento alimentar?

Alimentação é um assunto que se refere ao corpo ou à mente?

Comer está basicamente relacionado à manutenção da vida, da saúde. Mas muitas vezes comemos além do necessário para a manutenção de uma vida saudável, comemos compulsivamente, por ansiedade, medo, solidão, insegurança e tantos outros motivos que nos levam a buscar na comida uma compensação imediata de prazer e bem estar.

Obesidade, excesso de peso, sobrepeso são consequências de quê?

Primeiramente a disponibilidade e facilidade de se ter acesso à variedade de alimentos na vida moderna facilita esta consequência da obesidade e culturalmente lidamos com a obesidade ainda como algo de pouco importância. O plano atual de governo se preocupou muito com o problema da fome no país, porem os dados revelam que morrem muito mais pessoas no país por excesso de peso que por falta de peso. Lidamos ainda com crenças fortes que determinam que falta de comida provoca “comoção”, excesso de peso é considerado falta de vontade, falta de autocontrole e até desleixo. Falamos também do preconceito e rejeição que envolve este assunto, pois a maioria não olha com bons olhos aquele que está acima do peso, no entanto a obesidade não esta para poucos, mas em quase todas as famílias e culturas da atualidade. Na realidade comer a principio serve para a manutenção da vida, mas pode se transformar em algo tão disfuncional que, em casos mais graves causa tanto prejuízo à saúde física e mental que pode levar à morte, morte psicológica ou morte física mesmo e quanto mais falarmos deste assunto, quanto mais olharmos para a obesidade como um problema possível de ser revisto e tratado com seriedade e gravidade, estaremos assim promovendo saúde.

Emagrecer e manter um peso sustentável não significa apenas uma busca por vaidade, por um corpo perfeito, mas sim por uma saúde perfeita, sendo assim manter um peso sustentável exige mudanças de pensamentos, hábitos e comportamentos em relação a “comer”.  

16 Dicas da psicologia para emagrecer

1- Identifique o porquê de você querer perder peso. Porque você quer emagrecer?

O que fazer: Escreva o seu motivo numa folha de papel, identifique cada aspecto envolvido nesse motivo. Mas seja honesto, não vá colocar só o que você acha que é bonito de dizer sem realmente acreditar. Identifique tudo o que você pensa que pode “ganhar” emagrecendo e avalie se são motivos justos.

2-Avalie seu comprometimento à meta de emagrecer.

Você é do tipo que só se entrega a alguma tarefa se ela for fácil, se não der muito trabalho? Ou você tem capacidade de se esforçar por alguma coisa que sabe que vai valer a pena? Você sabe avaliar quando alguma coisa vale o seu esforço? Sabe reconhecer agora o quanto você vai ganhar, e sabe usar isso pra te motivar a suar um pouco a camisa?

O que fazer: Anotar todas as situações nas quais você se dedicou, se esforçou. Valeu a pena? Quando não topou o esforço, o trabalho, que coisas você perdeu, que coisas deixou de conquistar? Valeu a pena ter perdido estas coisas porque não quis se esforçar?

3-Você quer emagrecer ou espera que o outro o emagreça?

Muitas pessoas consideram muito mais confortável ingerir um remédio para emagrecer ou fazer uma cirurgia. Essa é a postura dos que esperam ser “emagrecidos” por fatores externos. Pode até dar resultado, mas não vai se manter por muito tempo, e a conquista não é sua, então não está em suas mãos manter o ganho, ou seja, você pode voltar a engordar sem mesmo entender o por que. Na realidade com este modo de funcionar você está entregando o seu controle para longe de você, para os outros. Todo mundo que emagreceu assim já sabe no que deu, voltou a ganhar peso e muitas vezes ate mais do que antes.

O que fazer: Conscientizar-se que se você for o agente de sua mudança vai ser muito mais gratificante, pois assim você percebe que você pode contar com você mesmo. Se emagrecer dependeu de você, manter-se magro também vai depender, e como você sempre pode contar com você mesmo está garantido o sucesso.

4- Avalie o ganho secundário. Será que tem alguma vantagem em permanecer acima do peso? Parece uma pergunta estapafúrdia, não? Mas não é não. Muitas vezes inconscientemente tem algo de bom em ser gordo, como por exemplo, o papel de vítima, as pessoas sentem dó de você, facilitam coisas a você, muitas vezes recebe mais atenção e no fundo você gosta disso. Será que a sensação de que tem alguém “cuidando de você” dando dicas, fazendo comidas especiais, demonstram o quanto você é importante, vale tão a pena que te impede de emagrecer?

Ou será que a obesidade não está justificando outras dificuldades, como por exemplo, a dificuldade em se relacionar, paquerar, fazer amizades, assim você usa a desculpa de que esta gordo (a) e isso se torna um ótimo pretexto para que ninguém se interesse por você.

Ou a comida pode estar servindo como o único agrado que você está conseguindo proporcionar a você mesmo. Sendo assim, se esta triste, come. Está nervoso (a), come. Levou bronca do chefe, come. Terminou o namoro, come. Abrir mão deste agrado e compensação muitas vezes pode ser o impossível de suportar.

O que fazer: Escreva tudo o que lhe vem à mente quanto aos possíveis ganhos por estar acima do peso. Não censurar estes pensamentos. Após isso faça uma avaliação sincera e encontre outras formas de ter estes ganhos, como a atenção e reconhecimento das pessoas por exemplo. Tente encontrar outras formas de ter satisfação na vida que não dependa da comida. Por exemplo, se esta triste, no lugar de comer procure conversar com alguém que gosta e confia, leia algo motivador e interessante, assista a um filme divertido. 

5- A comida alivia a sua ansiedade?

Ingerir alimentos pode significar, inconscientemente, controle. Todo ser humano necessita sentir que está no controle. Quando está inseguro, fica ansioso e cai na “comilança” como válvula de escape. A sensação de controle promove certa tranquilidade. Quando ansioso se busca alguma coisa pra confortar, e nada melhor do que a sensação de estar se abastecendo, de estar colocando algo saboroso na boca, se acha que esta controlando a situação.

O que fazer: Procure não se tornar refém de seu próprio controle, ele deve ser seu aliado e não seu próprio inimigo. Se esta ansioso (a) tente relaxar respirando profundamente, tome água, se concentre em algo bom de sua vida, tire o foco do que você espera, foque no que você esta fazendo no momento.

6- Você se aceita como esta? Antes de começar a emagrecer é importante que você se aceite como está hoje, acima do peso. Por quê? Porque é impossível mudar uma coisa que você nem aceita que existe. Enquanto houver negação do problema você não conseguira olhar o suficiente para ele e nem conseguira fazer alguma coisa para eliminar esse problema. Mas, aceitar é diferente de gostar ou concordar, aceitar é parar de brigar com o seu peso e decidir fazer algo que possa mudar seu peso para um peso mais saudável e que te de mais qualidade de vida e satisfação.

O que fazer: Aceitar o próprio corpo como ele está agora, não negar (evitar olhar no espelho) nem exagerar (se chamar de balofa, por exemplo). Parar de brigar com seu corpo é necessário para poder fazer algo melhor por ele. Comece valorizando sempre que puder o que tem de bonito em você e que te agrada, foque no que você gosta em seu corpo e se dedique a ele.

7-Entender porque deixar de comer não emagrece.

O corpo tem um sistema de alerta contra os perigos. Quando a pessoa deixa de ingerir comida o seu cérebro entende como “dificuldades em obter alimentos” e para sua auto preservação passa a reduzir o metabolismo como uma forma de economizar as energias, e por isso não queima de forma eficiente as gorduras excedentes. Ou seja, você não emagrece ficando sem comer. E tem também outro fator, quando você fica sem comer por várias horas, a compensação desse período vai além do proporcional à necessidade do alimento. É como se o seu cérebro recebesse a seguinte mensagem “A coisa está feia lá fora, quando aparecer comida, coma o máximo que puder, porque não se sabe quando vai ter comida de novo”, e aí você come muito além do necessário. Mas a ingestão de comida em grande quantidade não é tão eficiente em termos nutricionais, pois seu organismo, quando sobrecarregado de comida, não consegue sintetizar os nutrientes de forma eficiente. Ou seja, você desperdiça o valor nutritivo da refeição, e só acumula gordura.

O que fazer: Não ficar mais de duas horas sem se alimentar. Nutricionistas, médicos dizem isso a toda hora e se você não sabia o porquê disso agora você sabe, então pode mudar isso agora. Mas lembre-se, alimentar-se não significa comer qualquer coisa e muito.

8- Porque o paladar é algo tão agradável?

O homem primitivo precisou do paladar mais sensível para identificar os alimentos que não são bons como os venenosos, os estragados, como também para ingerir fontes mais ricas de caloria. Num período onde conseguir comida era algo muito trabalhoso e corria-se o risco de ficarem vários dias sem comida, ter alimentos ricos em energia era fundamental. Por isso não é coincidência que os alimentos que mais atraem ao paladar são os doces e os gordurosos, ou seja, os extremamente calóricos. Talvez daí venha à frase “tudo o que é bom engorda”. Ou seja, nosso corpo ainda mantem este registro primitivo, ainda não nos adaptamos a esta fartura e facilidade de acesso à comida, o resultado disso é excesso de peso.

O que fazer: Habituar-se a ingerir comidas com sabor mais delicados, mais suaves, menos calóricos, menos doces, mais naturais e em menor quantidade porque você pode comer novamente, porque você não precisa armazenar para depois. Coma com prazer de se sentir saudável e pelo prazer de apreciar o sabor do alimento.

9-Porque o mais gostoso nem sempre é o mais saudável?

A indústria moderna se aproveita desse nosso paladar ávido por sabores e incrementa suas vendas intensificando o sabor dos alimentos com temperos extras e químicas específicas. Sem falar do excesso de gordura nas frituras e açúcar nos doces, que claro atraem ao paladar, mas estão além das nossas necessidades energéticas. Colocando muito sabor em alimentos pobres em nutrientes, e consequentemente mais baratos, a indústria consegue vender, e lucrar, colocando dentro da sua casa alimentos que são totalmente inúteis. Já ouviram a frase “é impossível come um só”, é claro que é impossível, colocaram aquela química que desperta seu cérebro a comer muito mais além do necessário e assim consumir cada vez mais.

O que fazer: Habituar-se a ingerir alimentos com maior valor nutritivo, frutas, verduras, legumes, carnes magras, peixes, etc. Treinar o paladar a encontrar satisfação no sabor natural dos alimentos diminuindo temperos e sabores artificiais é um exercício de mudança de habito alimentar assim como o modo de comer e a quantidade. Apreciar a qualidade do que se come e como se come deve se tornar um estilo de vida alimentar saudável para que seja sustentável, para sempre.

10-Porque comemos além do necessário?

Nossos corpos são regulados por um “ponto de ajuste” que te ajuda comer menos quando a comida escasseia, pois você sente menos fome. Mas vai ficar mais esfomeado quando tem abundância de comida. Isto é uma forma do corpo estocar calorias para o futuro, e este estoque é feito em forma de gordura. Durante a era primitiva havia muitos períodos de escassez, a refeição seguinte dependia de uma caçada e não de uma corrida a geladeira. Esse sistema de regulagem permitia que o indivíduo fizesse depósitos nos momentos de abundância para que pudessem ser usados quando faltasse comida. Hoje como o acesso a comida é muito fácil, sempre temos um estoque em casa, se estamos na rua há uma lanchonete ou um mercado em cada esquina. Os sinais de ajuste não se adaptaram a essa nova realidade e geram um grande problema, o consumo desenfreado, o excesso de peso e os problemas de saúde relacionados à obesidade.

O que fazer: Regime na “geladeira”. Não manter estoque desnecessário de alimentos. Não ter em casa coisas que são desnecessárias e não nutritivas. Além de emagrecer e manter sua saúde em dia você ira economizar muito. Vale a pena tentar.

11- Porque temos comida predileta e desejo por alimentos específicos?

Seu corpo está provido de um sistema de alarme ao alimento que era familiar, o que já é conhecido e sabe-se que é bom. Isto também é uma herança de nosso processo evolutivo. O homem primitivo tinha muita dificuldade em identificar qual alimento era saboroso ou saudável, assim seria muito importante repetir aquele que já foi provado e aprovado. A procura por esse alimento, já testado e considerado bom, surge na forma de desejo por alimentos específicos.

O que fazer: Resistir a esses impulsos. Ingerir outro alimento no lugar daquele desejado. Treinar flexibilização dos hábitos alimentares. Se não der pra resistir, então coma uma porção pequena, mas não sofrer demais se abstendo de determinada coisa, pois você pode supercompensar e acabar exagerando depois.

12- Conscientize-se do quanto e como você está comendo hoje em dia.

Só é possível mudar quando se está consciente do comportamento atual.

O que fazer: Anotar os alimentos ingeridos em cada refeição e durante as horas extras do dia, durante uma semana no mínimo, sendo honesto consigo mesmo e avaliar se o que você costuma comer e como você come, pode ser considerado saudável ou é possível de mudança.

13-Fator Cognitivo 1: Pensamentos automáticos que te empurra ou autorizam a comer além do necessário.

Todo comportamento é motivado por um pensamento. Você só tem atitudes que sua cabeça o levou a ter. Mesmo que estes pensamentos não sejam conscientes, eles podem ser automáticos, ou seja, você não se deu conta deles, mas eles existem. Por exemplo, porque você lava a maça toda vez que vai comê-la? Porque passa pela sua mente um pensamento automático, baseado em um aprendizado anterior, que diz que toda fruta tem que ser lavada. Mesmo que você não perceba que está pensando isso, essa idéia está na sua mente. Isso é pensamento automático. Pensamentos automáticos coordenam todas nossas ações, inclusive a alimentação. Portanto toda vez que você comeu algo, foi sua cabeça que te fez comer aquilo.

Todo alimento que ingerimos além do necessário, ou seja, aquele que vai ser armazenado em forma de gordura foi ingerido porque autorizamos, ou seja, passou coisas em nossa cabeça que te permitiram, ou até te impeliram a comer.

O que fazer: Em primeiro lugar treinar-se para que os pensamentos saiam do automático e você passe a ter consciência do que te levam a comer. Para isso existe o formulário RPD, Registro de Pensamentos Disfuncionais. Nele você pode anotar tudo o que passa na cabeça imediatamente antes de ingerir qualquer alimento, como por exemplo: “Já que emagreci um quilo posso comer um doce a mais hoje”, “Como caminhei ontem estou com crédito para comer um pouco mais hoje”, “Fulano me deixou nervoso, preciso comer senão estouro”, etc.

Num segundo momento você passa a elaborar novas formas e mais funcionais de pensar, para combater a comilança desnecessária.

14- Fator Cognitivo 2: Pensamentos automáticos que impedem o emagrecimento.

Pensamentos disfuncionais como: “Emagrecer me trará prejuízos porque vou ter que comprar outras roupas”, “Tenho roupas tão bonitas que dá dó não poder usa-las mais”, “Ir a um rodízio e comer pouco é desperdício”, “Pra que começar regime hoje, começo amanhã”, “Ontem eu achei que queria emagrecer, mas pensando bem não estou tão gordo (a) assim”, “Pra que emagrecer se não vou a lugar nenhum?”, “Porções pequenas são coisas de gente pão dura”, “Quem me recebe com pouca comida é porque não gosta de mim”. Estes são pensamentos que boicotam seu processo de mudança de comportamento alimentar. Muitas vezes o hábito de comer demais vem da cultura familiar, como por exemplo, a crença de que gordura significa saúde, ou a crença de se não comer é porque não está feliz, a crença de que gordo é bonito, gordura significa fartura, sucesso na vida, etc. Mudar crenças é algo que parece fácil num primeiro momento, mas a crença é inimiga da mudança, exige muita disciplina e persistência.

O que fazer: RPD – Registro de pensamentos disfuncionais. Elaborar novas formas mais funcionais de pensar. Na psicoterapia o psicólogo faz isso junto com o paciente, facilitando à identificação dos pensamentos disfuncionais promovendo outras formas de se pensar a relação com a comida.

15- O que os hábitos, a rotina do dia a dia, têm a ver com emagrecer?

Comer é um habito, e hábitos podem ser mudados. Mudar hábitos de forma geral, todos, mesmo os não relacionados à comida desenvolvem flexibilidade mental e desconecta comida de prazer, de passatempo, de atividade social, etc. Quando você se torna uma pessoa mais flexível você se permite mudar até seu hábito alimentar.

O que fazer: A cada dia fazer algo diferente, algo que não faz parte da sua rotina ou alterar a rotina, exemplo simples, a rotina de escovar os dentes não se deve mudar, mas se pode mudar a forma como se escova os dentes, mudar a mão que se escova por exemplo. Mudar a mão que se segura os talheres para comer e muitos outros hábitos que podem ser observados e mudados.

16- Comer é vicio?

Como todos os vícios comer trás satisfação em curto prazo e dor e arrependimento em longo prazo. O que define um vicio é: A satisfação provocada pelo agente viciante; A necessidade de doses cada vez mais fortes para se obter o mesmo efeito e: A síndrome de abstinência quando se retira este agente. Sendo assim podemos considerar vicio tanto o cigarro, a bebida, a droga, como o comer compulsivo.

O que fazer: Controle dos impulsos. Auto-instrução. Mudança de rotina para recondicionar o cérebro. Reestruturação Cognitiva.

Você percebe que pra emagrecer tem que mudar seu relacionamento com a comida. Tem que mudar o seu pensamento em relação à comida. Todo magro tem uma relação saudável com a comida, nunca é de dependência ou de compulsão. O que te faz comer além do necessário é sua cabeça, seus pensamentos disfuncionais. Mudando os pensamentos gordos por pensamentos magros, se condicionando a novas atitudes diante da comida, você terá uma consequência “vai emagrecer” e manter-se magro (a) e saudável para sempre.

Texto extraído da apostila Psicologia do Emagrecimento – programa RAFCAL

Pollyane lattmann- Psicóloga  CRP-SC 12/09203 CRP-PR 08/IS 442

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